Latas de metal, apitos, molas de suspensão de locomotivas, taças de porcelana, sinos de topo de compressores, bolas de pingue‑pongue, folhas secas de agave, esponjas, fios de aço, ramos, folhas de papel, sacos de plástico, papéis de prata, luvas cor‑de‑rosa, piano, balões, baldes, penas, água, sucata, seixos, vasos de flores, tubos de metal, sementes de paulownia, varas de bambu, troncos, ossos, pedras…

Rie Nakajima e Pierre Berthet têm inventado várias formas de pôr objetos a vibrar para que as suas sombras acústicas dancem: volumes de ar invisíveis que se transformam constantemente, movem‑se no espaço, entram nos lugares mais secretos e dentro de nós. Uma forma de nos aproximarmos dos espíritos inerentes das coisas é ouvi‑las. Encorajando‑as por fim a produzir sons e a ressoar por meios diversos: bater, acariciar, abanar, golpear, raspar, arranhar, garrar, ferver, bater palmas, chocalhar, baloiçar, atirar, mover, magnetizar, prender, cozinhar, beliscar, galvanizar, motorizar, tocar com arco, soprar, dedilhar, aquecer, deixar fluir, congelar, largar, pingar, ligar, rolar, misturar, alongar, cantar.

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Rie Nakajima é uma escultora japonesa que vive em Londres. Cria sons utilizando uma combinação de dispositivos motorizados e objetos do quotidiano. Pode ser uma instalação ou uma performance. Fundindo escultura e som, a sua prática artística está aberta ao acaso e à influência de outros.

A sua primeira grande exposição individual teve lugar na Galeria IKON, em Birmingham, em 2018. Trabalhou também com o Museo Vostell Malpartida (Cáceres), Association de Le Cyclop (Milly la Forêt), ShugoArts (Tóquio), Donaueschinger Music Festival (Donaueschinger) e Cafe OTO (Londres). Os seus colaboradores são Pierre Berthet, Angharad Davies, David Cunningham, Keiko Yamamoto, miki yui, hans.w.koch, Marie Roux, Billy Steiger, David Toop e Akira Sakata.

Pierre Berthet é um artista belga de Liège, músico, compositor e inventor. Estudou percussão no Conservatório de Bruxelas com André Van Belle e Georges-Elie Octors. Nos anos 80, passou bastante tempo numa torre de sinos, onde tocava o carilhão e explorava os sons do ambiente. Frequentou aulas de improvisação com Garrett List, composição com Frederic Rzewski e trabalhou com Henri Pousseur. Desde jovem, interessou-se por explorar os sons produzidos por objetos, batendo, esfregando e sacudindo materiais. Com o tempo, passou a criar instrumentos com fios de aço e latas. Tocou na banda de Arnold Dreyblatt e em dueto com Frédéric Le Junter. Desde 1990, dedica-se ao design e produção de instalações sonoras e visuais, adaptadas aos espaços onde são exibidas. Mais recentemente, tem explorado o som das plantas secas, motorizando-as para criar novas sonoridades.

Com o apoio de Wallonie Bruxelles International (WBI)