Linde nasceu de uma colaboração com o investigador Alfonso Renart e o laboratório Circuit Dynamics & Computation do Champalimaud Centre for the Unknown, no âmbito da residência arte-ciência Bridges to the Unknown.
Trata-se de uma performance sonora minimalista multicanal que investiga os limiares da perceção auditiva espacial. Inspirada numa revisitação da investigação de Diana Deutsch sobre ilusões auditivas — em particular as suas experiências de lateralização e altura tonal — a obra explora de que forma variações subtis de frequência e timbre influenciam a perceção da localização sonora, utilizando fragmentos eletronicamente sintetizados que surgem e se dissolvem no espaço em tempo real.
Estes eventos sonoros mínimos geram ilusões acústicas subtis e deslocamentos espaciais, convidando o ouvinte a habitar um campo em constante mutação e ambiguidade perceptiva. Assim, a peça percorre o delicado jogo entre presença e ausência, e a instabilidade da perceção auditiva ao longo do tempo.
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Nico Espinoza é artista sonoro, compositor e investigador chileno radicado em Lisboa, cuja prática interroga o devir mútuo da coletividade — a forma como agências materiais, técnicas, naturais e humanas se entrelaçam na configuração de sistemas dinâmicos de relação. Afinando a perceção da realidade através da escuta, o seu trabalho explora a reconfiguração contínua destas ligações, questionando de que modo ambientes, gestos e tecnologias se co-transformam.
A sua investigação manifesta-se em instalações sonoras, performances e peças radiofónicas que recusam definições fixas de som, explorando antes os seus potenciais fluidos: como força, vestígio, objeto ou processo relacional em redes de ressonância e retroalimentação em mutação. As suas colaborações foram apresentadas internacionalmente em instituições como a Art Basel, a Bienal BoCA e o Lisboa Soa, e em residências na Áustria (Ars Electronica), Brasil, Chile (Espacios Resonantes), Dinamarca (Sound Art Lab), Portugal (Animais e Fundação Champalimaud) e Espanha (Roca Umbert. Fàbrica de les Arts).
Num cruzamento disciplinar, concebe dispositivos sonoros para espaços arquitetónicos (como o Pavilhão do Brasil na Expo 2020), experiências sonoras para iniciativas científicas (Fundação Champalimaud, Matters of Activity), bem como oficinas para programas de educação experimental (Museu do Amanhã, NowHere Lisbon).
Com mestrados em Sound Studies & Sonic Arts (UdK Berlim) e em Eletrónica (Universidade Técnica Santa María, Chile), o seu trabalho reflete uma síntese entre investigação técnica rigorosa e exploração artística especulativa — uma prática atenta às políticas da perceção e às dinâmicas emergentes da vida coletiva.