Nota: o acesso à instalação “O Ar que Circula” é gratuito, mediante inscrição através deste formulário.

O Lisboa Soa propõe uma ocupação inédita do Panóptico do Hospital Miguel Bombarda com uma exposição coletiva de arte sonora. Este pavilhão circular do final do século XIX, concebido para vigiar e silenciar, transforma-se num “pan-acústico” em que o som substitui a visão como meio de ligação. Diferentes celas irão albergar instalações sonoras que dialogam com a arquitetura austera e com as obras vizinhas, construindo uma nova paisagem sonora coletiva. No centro, outrora lugar do vigilante, propagam-se as vibrações das celas, ligando interior e exterior num espaço partilhado de escuta.

Cada átomo do nosso corpo contém energia intrínseca e está em constante movimento vibratório. Vivemos, de facto, num imenso mar de energia: todas as coisas no universo, das partículas subatómicas às galáxias, oscilam e emitem frequências. A exposição propõe refletir sobre a energia que permeia e conecta todas as coisas — cidades, paisagens, corpos, comunidades. Não apenas a energia física e natural — vento, água, som — mas também as suas dimensões simbólicas, sociais e vitais: forças que atravessam, sustentam e transformam a vida em comum. Não se trata de ilustrar conceitos científicos, mas de criar dispositivos sensoriais e poéticos que envolvam o público na compreensão de que, em última instância, o som é a energia que nos liga ao momento presente e ao mundo à nossa volta.

Ao percorrer o Panóptico, os visitantes são convidados a mover-se entre o tangível e o invisível, a reconhecer que tudo no universo vibra e a experienciar essas frequências num ambiente de atenção e escuta profunda. O silêncio disciplinar de outrora cede lugar ao fluxo, ao diálogo e à ressonância que nos ligam à cidade, à paisagem e à essência humana.

 

Obras de:

Inês Mendes Leal

Inês Tartaruga Água e Xavier Paes

Tomás Quintais

Vittoria Assembri

Yasuhiro Morinaga e Robert Millis